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Por entre sementeiras, revelações e caciquismos.

por alho_politicamente_incorreto, em 22.12.16

Querer é obrigar os desejos a fazer ginástica. Olhando em redor, com a retalhada esperança de um pessimista bem informado, não enxergo o Homem entregue a novos cultivos que nos tragam outras colheitas. Neste tempo em que o Natal nos é imposto com tonta antecedência, percorro ruas e cidades e detenho-me, já sem a surpresa de outros olhares, com a desenfreada sanha consumista que parece animar muitas almas, sempre apressadas e insatisfeitas. Não quero entrar por grandes reflexões cujo mérito redundaria num exercício de galopante angústia. Mas importa apontar para outras sementeiras porque, como bem lembrou Eugénio Roda in “O Quê Que Quem”:  «Semear é dar o que Queremos receber. Querer é obrigar os desejos a fazer ginástica. Espreitar é o que fazemos quando os nossos olhos são maiores que O Mundo. O mundo é uma bola tão grande que se torna difícil jogar com ela.»

...leio as seguintes declarações imputadas ao Presidente da edilidade: «quando o Presidente da Câmara e a Vereadora da educação vão visitar uma escola com diretores da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e não são recebido pelo Presidente da Direção, muita coisa vai mal. Não preciso de dizer mais nada.» (sic)

 

BioLiving. Persistindo no caminho dos que ousam plantar, cumpre dar justa ênfase à iniciativa da Associação BioLiving, que, com o apoio dos alunos do curso de Biologia da Universidade de Aveiro, plantou trezentos carvalhos-alvarinhos no Parque de Lazer de Valmaior. Para o efeito, aquela associação, com sede em Frossos, contou com o apoio das autarquias locais, mormente da Câmara Municipal, que – e muito bem – reafirmou o seu compromisso de plantar seis árvores por cada uma que seja retirada.

 

Da trapalhada. A pretexto do artigo publicado na última edição deste jornal, narrando o essencial da sessão ordinária da Assembleia Municipal (AM) de 18 de novembro, admito que, por entre as ironias que polvilhavam o texto, os meus olhos se engasgaram quando, de novo, o dossiê da Educação no nosso Concelho foi abordado. No meio da trapalhada envolvendo a opção de requalificar a Escola da Avenida, leio as seguintes declarações imputadas ao Presidente da edilidade: «quando o Presidente da Câmara e a Vereadora da educação vão visitar uma escola com diretores da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e não são recebido pelo Presidente da Direção, muita coisa vai mal. Não preciso de dizer mais nada.» (sic)

 

Grave. Muito grave. Esta revelação, sem mais informações de contexto, é de uma gravidade extrema que não pode passar impune, sob pena de a opinião pública local enveredar por especulações que até podem implicar outro tipo de danos. O senhor Presidente terá de colocar o nome à(o) Diretor(a) de Agrupamento visado(a). Partindo da premissa de, em Albergaria, só existirem dois agrupamentos escolares, as respetivas comunidades educativas merecerão - e até reclamarão! - a verdade. Uns, naquela AM, ter-se-ão perguntado: a Câmara estará, afinal, em rutura com um(a) Diretor(a) de Agrupamento da terra? Outros, sucumbindo à tentação de emitir juízos porventura precipitados, acharam-se no direito de questionar: se um(a) Diretor(a) de Agrupamento não aparece para receber o Presidente de Câmara, a Vereadora da Educação e os quadros da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, vai aparecer quando?

 

Na hora certa não dizem nada. E o que fará a edilidade, que tem assento em vários órgãos de suma importância? Por exemplo, no Conselho Geral de origem do(a) Diretor(a) abstratamente apontado(a), o que pensa fazer? Ou será que – socorrendo-me até das palavras da Vereadora Catarina Mendes, vertidas no texto acima mencionado, «As pessoas são chamadas a falar e na hora certa não dizem nada»?

 

Caciquismo. Não queria deixar de cumprir a tradição e, com genuína estima, desejo aos prezados leitores um santo e feliz Natal, com um 2017 pejado de coisas boas. Por isso, aqui vai uma reflexão final sobre o que fomos vendo, lendo e ouvindo durante 2016. Mais do que nunca, sentimos e percebemos que vivemos espartilhados por capelinhas, quintinhas pessoais de acesso restrito e por fações que fazem da prepotência a (sua) lei. Algo que António José de Almeida, («Galopins», in Alma Nacional, n° 28, de 18 de Agosto de 1910) assim definiu: «O caciquismo não é um acessório do regime. É o próprio regime. Ou, pelo menos, está para o regime como o coração está para o organismo em que bate: é o aparelho distribuidor da energia e da ação.»

José Manuel Alho

 

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Factos, dúvidas e sinais

por alho_politicamente_incorreto, em 11.12.16

Soube-se recentemente que em, valores absolutos, as câmaras da CIRA – Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro – com menor dívida são, por esta ordem, Murtosa, Sever do Vouga e Albergaria-a-Velha. Em contrapartida, o valor do número de trabalhadores com cargo e carreira por cada mil habitantes é, no município de Albergaria, o terceiro mais elevado, atingindo a cifra de 9,27, apenas superado por Sever do Vouga e Aveiro.

A perceção pública de muitos serviços municipais é negativa, reforçando a impressão de que algumas lideranças intermédias serão frágeis. E a tudo isto haverá ainda a somar o valor de avenças pagas pela edilidade e que alguns garantem atingir valores inusitadamente altos.

 

Confesso que este último indicador relativo aos trabalhadores autárquicos foi, para mim, uma revelação que acentua velhos perigos e gera novas preocupações. Esperava-se uma inversão desta tendência e não o regresso a velhas tentações. De facto, ao ser o terceiro município com mais trabalhadores, esperar-se-ia que alguns serviços camarários fundamentais à prossecução do interesse público fossem hoje valências de maior proximidade, com níveis de eficácia proporcionais ao volume de colaboradores existentes. E, infelizmente, não é isso que acontece. A perceção pública de muitos serviços municipais é negativa, reforçando a impressão de que algumas lideranças intermédias serão frágeis. E a tudo isto haverá ainda a somar o valor de avenças pagas pela edilidade e que alguns garantem atingir valores inusitadamente altos.

 

E a proximidade que se exige a serviços e até aos presidentes de Câmara não é aquela que se traduz em correr as capelinhas para se ser fotografado entre velhinhos que comemoram longos anos de casamento. É outra coisa. Algo que exige mais disponibilidade e, acima de tudo, elevada proficiência.

 

Entretanto, pela Branca, a polémica entre a ex-tesoureira, Cristina Valente, e o atual presidente de Junta, Carlos Coelho, parece ter – pelo menos, aparentemente – acalmado. Este caso, no entanto, colocou a nu qualquer coisa que o futuro se encarregará de clarificar. Entre dois autarcas desavindos que, sendo eleitos pelo CDS e que protagonizaram uma vitória histórica numa freguesia até então dominada pelo PSD, não deveria ter existido uma mediação do líder local dos centristas? Afinal, quem ganhou e quem perdeu com tão grave querela? Ainda que eleito como independente, quem protegeu ou se solidarizou com Carlos Coelho? Será mesmo que ele é visto pelos seus como uma mais-valia? Quem, no fim, sairá mal desta controvérsia: o CDS Albergaria ou Carlos Coelho e Cristina Valente?

Ou, na política, tudo e todos serão descartáveis?

 

Por fim, boa nota para a adesão da autarquia à campanha “Pilhas por Alimentos”, uma iniciativa que visa apoiar os Bancos Alimentares Contra a Fome através da recolha de pilhas usadas; a distinção do município com o Prémio Cultura na terceira edição da «Gala Litoral Awards», que obriga a elogiar a ação determinante do Vice-Presidente e Vereador da Cultura, Delfim Bismarck; a apresentação de uma candidatura ao Programa Centro 2020 visando o início da infraestruturação do aumento da nossa zona industrial e, finalmente, para o regresso do Lugar das Cores, o parque de Natal, dedicado ao público infantil e juvenil, sediado no Pavilhão Municipal, no fim-de-semana 17-18 de dezembro.

José Manuel Alho

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